Quinta-feira, 8 de Junho de 2006

Se eu não gostar...

"Se eu não gostar de mim, quem gostará?"

Estas palavras não saíram da minha cabeça toda a noite e sinceramente estão a custar sair da minha cabeça esta manhã! Por vezes não damos a devida importância à auto-estima, é verdade! É claro que toda a gente se refere a ela como sendo uma característica importante, no entanto não foram muitas as vezes que ouvi alguém dizer que era o elemento essencial. Mas é! Sei disso... E sei que também pode estragar sentimentos muito bonitos!

Sei que para as pessoas que me amam o facto de eu não gostar de mim é uma autêntica estupidez, algo sem nexo... "Sara, olha à tua volta! As pessoas gostam de ti... Nem imaginas na Segunda-feira quando faltaste, toda a gente perguntou por ti...Então e a Sara? Onde é que ela está? Então e a Sara?", "Tens um namorado espectacular!", "Quem me dera ser como tu!"... e eu continuo a não saber explicar o porquê de sempre me sentir assim!

Acho que são traumas, situações mal resolvidas, alturas mal amadas...quem sabe?

Quando era pequenina a situação em casa não era a melhor... discussões constantes, impulsividades, amores que se perderam, situações (quem sabe) mais fortes impediam que a situação mudasse! A minha mãe dizia que o meu pai brincava comigo quando era pequena, que tinha bastante orgulho em mim, por me ter tido já com bastante idade e então costumava passear comigo na rua como se fosse a sua mascote! O que melhor me lembro dele é dos ovinhos kinder que ele me comprava...e lembro-me que não o comia assim de qualquer maneira, aquilo era uma espécie de ritual! O meu pai ia-me buscar ao jardim de infância e quando vinhamos para casa comprávamos um ovo kinder e guardávamos religiosamente até chegarmos a casa. Quando lá chegávamos ele partia o ovinho aos bocadinhos, punha num prato e eu ia para o sofá deliciar-me com aquele chocolate de leite. Depois chegava o meu pai com o brinquedo, por vezes montado, outras vezes por montar e eu ficava feliz e achava que o meu pai era o melhor pai do mundo!

No entanto sempre achei que ele tinha deixado de gostar de mim quando saiu de casa! Infantil, criança, eu sei! Mas não entendo porque é que ele deixou de me procurar, de partir os meus ovinhos, de me ir buscar à escola e de apenas me ligar no Natal e no dia de anos quando ele se tinha separado da minha mãe e não de mim!

Por outro lado, a minha avó! Nunca gostou do meu pai mas eu demorei bastantes anos a entender isso, até tu meu amor o viste primeiro que eu! Não gostava dele por causa da relação tempestuosa dos meus pais, porque não gostava da maneira como ele tratava a minha mãe, mas acima de tudo por ser muito mais velho que ela. Passou isso para mim durante muitos anos e hoje em dia sinto que ainda olha para mim com aquela cara "Pareces o teu pai!" e sempre me apontou o dedo por ser gorda, por ser assim e assado e claro por parecer o meu pai.

Talvez por isto, meu amor, eu esteja sempre à espera que as pessoas se separem de mim como o meu pai fez ou que as pessoas me apontem o dedo e me recriminarem como a minha avó sempre agiu comigo...Mas olhando hoje à minha volta sei que tudo isso não tem sentido, sei que talvez aches que não evoluí ou que não me consigas perceber ou entender!

Sei que o facto de eu não gostar de mim é o ponto de partida para as coisas começarem a não correr às mil maravilhas, sei disso meu amor! Ontem quando tudo aquilo aconteceu não me saíam da cabeça todos os momentos bons que nós passámos, tentei analisar toda a nossa história e não encontrei nenhuma cena tua que me tenha desiludido ou que eu tivesse pensado que não eras tu quem eu queria, porque és! Desde que entraste naquela porta, me deste dois beijinhos (o formigueiro que me fez na barriga), desde que te sentaste ao meu lado a jogar às cartas, desde que te vi sorrir, desde que ouvi a tua voz, desde que te bati com a almofadinha laranja da lu na cabeça, desde que me fizeste voltar a sorrir de novo para a vida, desde que em mandaste a primeira mensagem, desde as nossas conversas até altas horas no msn (ou mns como tu dizias e eu me fartava de rir), desde o nosso primeiro beijo, desde a primeira vez que olhaste pa mim com aqueles olhinhos que tu fazes e que me fazem sentir uma mistura enorme de sentimentos, uma vontade de rir e chorar ao mesmo tempo, por me fazeres feliz como ninguém, desde que te pedi em namoro, desde que cantas para mim com a tua vozinha que eu adoro e que dizes que mais ninguém gosta, desde que andamos de mãos dadas na rua, desde a primeira vez que te disse que te amo... desde aí que sei que és especial e que quero ficar contigo até que o destino o permita!

Pensei em tudo, meu amor! "Não chora, fofa!", "Amo-te!", lembrei-me do nosso primeiro beijo, a maneira como me apanhaste despercebida, me puxaste pela cintura e me beijaste pela primeira vez, do primeiro telefonema que me fizeste e como eu estava nervosa, de teres enfrentado uma multidão que não conhecidas de lado nenhum para ires ao palco dares-me um beijo e responderes ao meu "Amo-te!"... Não! O nosso amor é grande e bonito de mais para eu não pensar em todas estas pequenas coisas que todas juntas me transformam na mulher mais feliz do mundo, porque sou! Quando te digo isso não é mentira... é a mais pura das verdades! Eu é que estrago quando sou insegura e penso que me vais trocar por toda a gente e nem me lembro de que se estás comigo é mesmo porque me amas, que foi comigo que perdeste o medo de te entregar a alguém, que foi a mim que entregaste o teu coração pela primeira vez... por traumas, medos, infantilidades.

Como é que eu não posso gostar de mim se consegui conquistar uma pessoa como tu? Se todos os meus amigos se preocupam comigo e têm me ajudado imenso com todas estas confusões que têm havido? Como é que eu posso não gostar de mim...? Se tivesse aqui a Milene dizia-me logo "Oh mana tu és um diamante!" Vou-me convencer disso... porque eu não sou tão má como penso!

Amo-te Miguel...a ti, a mim, a nós... Porque o nosso amor é lindo! E vai continuar a ser...


publicado por coraxaodemanteiga às 10:23
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1 comentário:
De AnaCristina a 1 de Julho de 2006 às 14:56
És tão tontinha, miúda!
Mas és uma princesa e sabes disso... mas a tua baixa auto-estima é demais... Eu sou gorda e sei como é sentirmo-nos complexadas mas esse é o menor dos teus problemas... És linda, inteligente, determinada, esforçada, lutadora, amiga, empenhada, bondosa...
Fuuuu... Tou cansada de tanta coisa boa!
Adoro-te princesa!


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