Segunda-feira, 29 de Maio de 2006

Para a vida...

Enquanto os barcos sobem o rio e a Norah Jones namora comigo no prato do cd, apetece-me escrever sobre namorar. No mês de S. Valentim, olho à minha volta e tento contar os pares de namorados que conheço. A mão direita talvez chegue; o resto, são histórias, casos, encontros, desencontros, empurrões, equívocos, enganos, esquemas, casos mal resolvidos. Parece-me que anda quase toda a gente em trânsito, com muita pressa e pouco norteio, e um bocadinho ao lado daquilo com que sonhou. Mulheres e homens hasteando bandeiras de orgulhosa mas involuntária solidão, meninas mimadas à espera de encontrar o Príncipe Encantado no primeiro par de calças que com elas se cruza e rapazes que não querem crescer, mesmo depois dos quarenta, desejando secretamente que a sua princesa – que eles querem mesmo que exista – demore só mais uns meses a aparecer. E depois há os outros, os que acreditam numa relação e decidem investir nela.
Entre os pares de namorados que conheço, alguns estão casados há mais de 40 anos, outros têm menos de 25 anos e não têm planos de casamento, mas há uma coisa que o une: a vontade de estar com alguém senão para a vida, pelo menos na vida, já que viver só é coisa de bicho e mesmo assim, são poucos os que assim vivem.
Estes pares de namorados conjugam os verbos estar, partilhar e viver sem pensar no que isso implica. A explicação é simples: mais ou menos carentes, mais ou menos afectivas, são pessoas sem medo de dar amor, mesmo sabendo que nada é seguro e fiável, que nada é para a vida, a não ser a morte. E namorar é isto mesmo, viver a dois.
Dá muito trabalho viver a dois, mesmo que não se viva debaixo do mesmo tecto. É como se a nossa vida deixasse de ser completamente nossa; há outro, uma outra pessoa que também a vive connosco, que faz parte dela. Uma pessoa que cuida de nós e de quem precisamos de cuidar. Alguém que, antes de nós, já viveu uma vida inteira, já amou outras pessoas e já lambeu as feridas. Alguém que é um conjunto intrigante e complexo de defeitos, qualidades e experiências, alguém único e difícil de entender, tal como nós. Mas, acima de tudo trata-se de alguém que gosta de nós. E que gosta tanto que é connosco que quer partilhar a vida.
Parece simples, mas deve ser a coisa mais complicada do mundo. Mas então porque é que as relações são cada vez mais fugazes e difíceis de manter? Será que natureza humana afinal é mesmo polgâmica, apesar de todas as ditaduras da religião? Ou será que, estando a espécie tão protegida, nós, humanos seguros e individualistas, estamos a perder o instinto gregário? Afinal, porque é que é tão difícil estabelecer relações duradouras?
Eu tenho uma teoria, coisas de escritora: eu acho que as pessoas não estão para se chatear. Que o novo é irresistível, e há sempre pessoas novas e não tem piada nenhuma resistir-lhes. O zapping não é só um vício de quem passa horas sentado em frente à televisão a vegetar, também pode ser um modo de vida. E como o homem é um animal de hábitos, as pessoas habituaram-se a viver assim. Mesmo que isso represente andar a brincar aos namorados, aos casados, aos pais e às mães dos filhos dos outros, mesmo que assim o preço da solidão adiada, se pegue com uma factura maior.
Dá muito mais trabalho namorar. Mas também dá muito mais gozo. Como diz o Mick no filme Monstros & Companhia, sou tão romântico que me podia casar comigo mesmo. Eu também podia, mas era uma grande chatice. Prefiro procurar no outro as diferenças que nos unem. Prefiro investir, programas viagens com meses de antecedência, sonhar casas em terrenos baldios, dar a mão, oferecer músicas e palavras, dormir agarrada e acordar com o mais belo sorriso do mundo ao lado como meu despertador particular. Prefiro conjugar os verbos estar, partilhar e viver, sem pensar no que isso implica. Viver um dia atrás do outro, de vez em quando pensar no futuro, de vez em quando ter saudades do passado, mas não perder o fio dos dias, a paz construída que me dá serenidade e segurança. Não vale isso muito mais do que andar aos tiros para o ar, numa de tentativa e erro, a cansar o corpo e coração, em guerras de amor?

publicado por coraxaodemanteiga às 19:51
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2 comentários:
De eu a 30 de Maio de 2006 às 11:06
e se largasses a Norah Jones e viesses namorar comigo?
Mas sim senhora! to a gostar do blog.
Ta melhor do k o outro, sempre tens mais espaço para pores os teus textos.
E se keres saber subiram de qualidade.
Gostei mt.
A gente ve-se por aí!
beijao.

O Dono Delas


De Marco a 30 de Maio de 2006 às 19:09
Oi!...a bue temp k n t vejo...por ixo resolvi ver o teu blog...e vi este texto...k inda n tinha visto..o k so prova k a bue k n vinha ao teu blog..xkulpa...
agora sobre o post...apexar d eu n ser 1 entendido nexe tema...axo k tu tokaxt na "ferida", expoxext realmente como as relaxoes sao hj em dia...e km tiver a cabexinha em xima dos ombros d xertexa k vai fikar a penxar sobre o k xkrevest tal como eu fikei...
apesar das coixax serem axim...e oportuno faxer exta pergunta.."kek s pod faxer?"...axo k nada...as coisas sao axim...e pelo k vejo e m parexe vao continuar durant bons e largos anos...ixt s algum dia ixto vierem a mudar...
*bjx


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